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A verdadeira revolução não será metrificada: reflexões sobre o teletrabalho


Silenciosamente, e antes de estourar a pandemia, lá estava ela. Restrita a pequenas ilhas de excelência no serviço público, sobretudo na esfera federal, a tentativa de viabilizar o teletrabalho para alguns setores vinha dando passadas largas há algum tempo. Estourada a pandemia, assistimos a uma revolução atropelada, a uma adesão compulsória ao teletrabalho por servidores públicos que por vezes ainda não haviam internalizado a onda dos processos eletrônicos, quiçá nem mesmo o uso de email corporativo. Visto com pessimismo por uns e com oba-oba por outros, o que realmente pressupõe a adesão ao teletrabalho por servidores públicos?

Nascida como estratégia capaz de otimizar a gestão de tempo, recursos, gerar maior produtividade e oferecer maior qualidade de vida a colaboradores, a iniciativa do teletrabalho pressupõe uma relação de confiança entre líder e liderados, disponibilização de recursos tecnológicos e informacionais necessários ao colaborador aderente ao modelo, um eficiente sistema de comunicação interna, uma boa plataforma de gerenciamento de processos eletrônicos e, o mais importante de tudo, uma essencial pactuação de metas que assegure ao servidor produzir e ser avaliado de acordo com padrões previamente definidos por ele e sua chefia imediata.

Estamos diante de desafios bem razoáveis para um serviço público em que pesquisas dão conta de um corpo operacional em muitos casos sem a qualificação devida, líderes ocupantes de gerências médias com graves limitações em suas habilidades gerenciais, instituições com graves carências em termos de estrutura de TI e ambientes corporativos com culturas organizacionais fragilizadas ou desconhecidas. Já não seria um desafio fácil. Diante da urgente necessidade de revolução tupiniquim redobrados devem ser os cuidados, sobretudo na pactuação de metas.

A pactuação de metas seria, num ambiente realmente sadio para a mudança, o maior e mais importante avanço. Definir metas de forma sistematizada e participativa poderá ser, para as instituições que consigam superar parte dos desafios enumerados no parágrafo anterior, momento de realinhamento estratégico com ricas reuniões para (re)definição de objetivos, projetos e indicadores, vez que as novas metas precisam ser alcançáveis e monitoráveis. Eis aqui o grande trunfo advindo com o teletrabalho – a possibilidade de construção de uma nova postura realmente preocupada com o planejamento e com a cidadania organizacional.

Será uma revolução perdida se não considerarmos de verdade a possibilidade de pactuação de metas institucionalizada, participativa e com equipes remotas, deslocadas, desterritorializadas, múltiplas e multidisciplinares, realmente equipadas e formadas mediante lúcida gestão por competências e submetidas a lideranças gerencialmente hábeis, humanas e encorajadoras.

A verdadeira revolução, humana, deverá emergir antes mesmo da definição de metas!



Rodrigo Cavalcante

Professor, Mestrando em Administração

Servidor Público Federal

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